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https://archive.is/xvwMP
https://observatorio3setor.org.br/noticias/holocausto-brasileiro-tortura-fome-e-60-mil-mortes-em-hospicio/
25/08/2017
# Holocausto brasileiro: tortura, fome e 60 mil mortes em hospício
Maria Fernanda Garcia
<img src="https://archive.is/xvwMP/921e8cbd2daad34e34330fcf3cb267758cd28376.jpg">
Foto Luís Alfredo, da revista “O Cruzeiro”
O Brasil também teve seu holocausto. Quando o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou, em 1979, o Hospital Colônia, o maior hospital psiquiátrico do Brasil na época, declarou em uma coletiva de imprensa que tinha visitado um campo de concentração nazista.
Localizado na cidade de Barbacena, em Minas Gerais, o Hospital Colônia só poderia ser chamado de campo de concentração. Entre os anos de 1930 e 1980, foram contabilizadas 60 mil mortes no hospício.
As pessoas que eram enviadas para o hospital, a maioria à força, nem precisavam ser diagnosticadas com algum transtorno mental. Mais de 70% dos pacientes não sofriam com nenhuma doença do tipo. Eram crianças rejeitadas pelos pais por mau comportamento ou algum tipo de deficiência; filhos tidos fora do casamento; mulheres estupradas pelo patrão ou algum homem importante na época, com dinheiro suficiente para esconder o crime; epiléticos; alcoólatras; homossexuais. Tudo era motivo para enviar pessoas ao hospital.
<img src="https://archive.is/xvwMP/3d308d18611869e94d5194922830115bb1b98fd3.jpg">
Pacientes Hospital Colônia/Foto: José Alfredo
Muitos elementos nessa história lembram o que acontecia com as vítimas do Nazismo. Um deles é o fato de as pessoas eram enviadas para o hospital em um trem de carga, assim como os judeus eram levados para os campos de concentração durante a Segunda Guerra. O trem que os levava para o Colônia ficou conhecido como “trem de doido”.
Em 1961, o fotógrafo Luis Alfredo, da revista O Cruzeiro, foi o primeiro a divulgar os horrores que aconteciam no hospital, através das suas fotos. Os pacientes internados eram submetidos a todo tipo de tortura: eram violentados, passavam frio e fome. Nem roupas eram fornecidas para os pacientes, que andavam quase nus. Poucos conseguiam alguns trapos para se vestir. Em noites de frio, chegaram a ser registradas 60 mortes. As pessoas morriam de frio. Os corpos eram vendidos para faculdades de medicina na época. Tudo com a omissão do Estado.
Em 1979, o jornal Estado de Minas publicou a reportagem ‘Os porões da loucura’ e, no mesmo ano, foi filmado o documentário ‘Em nome da Razão’, de Helvécio Ratton.
Depois, o assunto só foi retomado em 2013, quando a jornalista Daniela Arbex lançou o livro ‘Holocausto brasileiro – Vida, Genocídio e 60 mil mortes no maior Hospício do Brasil’.
No ano passado, foi lançado o documentário ‘Holocausto Brasileiro’, produzido pela HBO e veiculado no canal fechado Max. O roteiro e a direção também têm a assinatura da jornalista, com ajuda na direção de Armando Mendz.
<img src="https://archive.is/xvwMP/ed0393a1415ddd27a510427c8dd8da59e43cc00d.jpg">
Criança paciente Hospital Colônia/Foto: José Alfredo
O documentário mostra relatos de sobreviventes e de pessoas que trabalharam no Colônia. Comer ratos e beber água de esgoto era a única chance de sobrevivência. E, na maioria das vezes, as pessoas acabavam morrendo. Eletrochoques em pacientes eram diários. Às vezes, a energia elétrica da cidade não era suficiente para aguentar a carga.
A barbárie que crianças, mulheres, homossexuais, pessoas com transtornos mentais e outras vítimas passaram no Brasil se compara ou até ultrapassa os horrores dos campos de concentração nazistas.
O Colônia foi fundado em 1903 e por oito décadas levou adiante o tratamento desumanizador.
Um documentário sobre o tema está disponível no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=y6yxGzlXRVg
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https://archive.is/L3f0l
https://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto_Brasileiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Projeto_Mais_Teoria_da_Hist%C3%B3ria_na_Wiki/Mais_Negres
# Holocausto Brasileiro
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
<img src="https://archive.is/L3f0l/1e45fcb1da7e5182403d571bfea3c741e29ce6f9.jpg">
Autor(es) Daniela Arbex
Idioma português
País Brasil
Assunto direitos humanos, hospitais psiquiátricos
Gênero livro-reportagem
Arte de capa Alan Maia
Editora Geração Editorial
Editor Paulo Schmidt
Lançamento junho de 2013
Páginas 255
ISBN 978-85-8130-157-0
**Holocausto Brasileiro** é um livro da jornalista Daniela Arbex, lançado em 2013, que retrata os maus-tratos no Hospital Colônia de Barbacena, administrado pela FHEMIG, por meio de depoimentos de ex-funcionários e pessoas ligadas diretamente ao dia a dia do funcionamento do local. O hospício foi responsável pela morte de 60 mil pessoas e chegou a arrecadar pelo menos 600 mil reais com a venda de corpos.[1]
No prefácio, o nome "holocausto brasileiro" é justificado:
## "Em geral, soa como exagero quando [a palavra holocausto é] aplicada a algo além do assassinato em massa dos judeus pelos nazistas na Segunda Guerra. Neste livro, porém, seu uso é preciso. Terrivelmente preciso. Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros do Colônia. Tinham sido, a maioria, enfiada nos vagões de um trem, internadas à força. Quando elas chegaram ao Colônia, suas cabeças foram raspadas, e as roupas, arrancadas. Perderam o nome, foram rebatizadas pelos funcionários, começaram e terminaram ali."
### — Eliane Brum, autora do prefácio
O livro foi bem recebido pela crítica especializada. Em um editorial da Revista Época, é descrito como "um excelente começo para uma reflexão não apenas sobre o passado, mas sobre o presente."[2] Foi eleito Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no Prêmio Jabuti (2014).
Um documentário inspirado pelo relato foi lançado na HBO em 2016. Levando o mesmo nome do livro, o filme foi dirigido pela própria Arbex.[3] O livro também ganhou uma adaptação para a televisão com a série Colônia, da Globoplay, lançada em 2021.[4]
## Concepção
A ideia para o livro surgiu em 2009, quando Arbex viu as fotografias tiradas pelo jornalista e fotógrafo Luiz Alfredo para a extinta revista O Cruzeiro, em 1961. Após uma pausa, Daniela retomou o projeto em 2011, quando buscou conhecer os 190 sobreviventes do hospital até então. Entre 20 e 27 de novembro do mesmo ano, como resultado dessas investigações, uma série de matérias intutuladas "Holocausto Brasileiro" foram veiculadas no jornal Tribuna de Minas, onde Arbex trabalhava.[4]
## Lançamento
O lançamento ocorreu em 6 de julho de 2013, em Belo Horizonte, durante uma sessão de autógrafos com a autora.[5] Em março de 2019, ganhou uma nova edição pela Editora Intrínseca.[6]
## Violência do hospital e de uma época
Por se passar principalmente na primeira metade do século XX e no começo da segunda, o livro acaba por revelar os costumes de então. Exemplo disso é o tratamento dispensado às mulheres, especialmente as negras e pobres, como nos casos expostos a seguir.[7]
## "Aos quinze anos, Conceição foi mandada para o hospital porque decidiu reivindicar do pai a mesma remuneração paga aos filhos machos. Embora trabalhasse como os irmãos na fazenda de Dores do Indaiá, município pouco povoado do centro-oeste das Gerais, a filha do fazendeiro não desfrutava dos mesmos direitos. Pela atitude de rebeldia da adolescente, o pai aplicou o castigo. Decidiu colocar Conceição no "trem de doido", único do país que fazia viagens sem volta. Em 10 de maio de 1942, ela deu entrada no hospital, de onde nunca mais saiu."
### — Arbex, Daniela (11 de março de 2019). Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Intrinseca. p. 41
Outro caso é de Geralda, uma menina de 14 anos, nascida em 1950, que trabalhava de empregada na casa de um advogado que a estuprou. Mais tarde, após outro abuso, a menina engravidou. Foi mandada, com a ajuda de duas freiras, ao hospital, com o objetivo de abafar o caso.[nota 1] Antes, ao buscar ajuda, recebeu uma resposta típica:
## "Abusada sexualmente, Geralda bem que tentou pedir ajuda a uma das irmãs do advogado, mas ouviu em tom jocoso que homem era assim mesmo e, portanto, deveria esquecer."
### — Arbex, Daniela (11 de março de 2019). Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Intrinseca. p. 151
De modo geral, o hospício não abrigava apenas "loucos", mas pessoas consideradas divergentes pela sociedade. Como observa o diretor André Ristum: "Eram as pessoas de que a sociedade queria se livrar, e hoje vemos que esses mesmos grupos ainda buscam espaço. Que falta de humanidade é essa que manda sumir alguém a partir de preconceito e afins? Há os arquétipos dos indesejáveis em uma sociedade que era e é machista, patriarcal, racista e homofóbica".[8]
## Ver também
* [Em Nome da Razão](https://archive.is/o/L3f0l/https://pt.wikipedia.org/wiki/Em_Nome_da_Raz%C3%A3o) — documentário símbolo da luta antimanicomial
## Notas
1. ↑ O livro sugere, entretanto, que ela foi ao hospital como funcionária, não como paciente
## Referências
1. ↑ Renan Truffi. «Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio de Minas Gerais». Internet Group. Consultado em 12 de julho de 2013
2. ↑ «Os loucos, os normais e o Estado». Consultado em 3 de janeiro de 2014
3. ↑ «Filme "Holocausto Brasileiro" mostra o horror do Hospital Colônia». Exame. 12 de novembro de 2016. Consultado em 1 de junho de 2022
4. ↑ Ir para: a b «Holocausto brasileiro: retrato de horrores de um hospício vira série de TV». Veja Saúde. Consultado em 6 de junho de 2022
5. ↑ «Lançamento do livro "Holocausto brasileiro" em Belo Horizonte». Consultado em 3 de janeiro de 2014
6. ↑ «Holocausto brasileiro, livro premiado de Daniela Arbex, ganha nova edição». Editora Intrínseca. 15 de janeiro de 2019. Consultado em 6 de junho de 2022
7. ↑ Arbex, Daniela (11 de março de 2019). Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Intrinseca
8. ↑ SOARES, LUÍS FELIPE (4 de julho de 2021). «Colônia mostra sofrimento de internos em hospício brasileiro dos anos 1970». Notícias da TV. Consultado em 6 de junho de 2022
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https://archive.is/a948q
https://pt.wikipedia.org/wiki/Em_Nome_da_Razão
# Em Nome da Razão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
## Em nome da razão - Um filme sobre os porões da loucura
<img src="https://archive.is/a948q/76b7a4920f859ce877d7f8089f872f4c450a2b43.jpg">
**Em nome da razão** é um documentário brasileiro de 1979 do cineasta Helvécio Ratton.
O documentário é todo filmado em preto e branco, mostrando o cotidiano dos pacientes internados no Hospital Colônia de Barbacena.[1]. O documentário mostra relatos de pacientes sobre a realidade no Hospital, possui como técnica cinematográfica o documentário denúncia, que evidencia, através da edição de depoimentos uma determinada realidade social. O filme foi recebido pela crítica à época como uma contribuição àquilo que surgiu posteriormente como Movimento de Luta AntiManicomial. De acordo com a psicóloga Maria Estela Brandão Goulart o documentário fez história na luta contra os manicômios e todas as formas de violência no Brasil de 1979 que ressurgia da opressão e censura característicos do período da ditadura militar. Trata-se de um marco histórico da Reforma Psiquiátrica Brasileira, mas tem ainda hoje muito a dizer e poderia sob diversos ângulos encontrar sua atualidade no nosso cenário[2]. O diretor não se furta em fazer comentários durante o desenvolvimento das cenas, que mostram, por exemplo um interno no chão, quando o diretor denuncia a locução dizendo "...o ócio é absoluto[3] um conjunto de relatos de pacientes internos do o que ainda hoje existe nas clínicas particulares em Barbacena, que utilizam de métodos de encarceramento medicamentoso para tornar aqueles que eventualmente teriam chance de diminuir seu sofrimento mental
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https://archive.is/mDmf3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_antimanicomial
# Movimento antimanicomial
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
<img src="https://archive.is/mDmf3/5caf4548ccd7c58c7d0de953a9deaef224d3f684.jpg">
Participantes Sociedade brasileira
Localização Na Itália (inicialmente), com Franco Basaglia e a Psiquiatria Democrática; No Brasil, no Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental (Bauru, São Paulo)
Data Itália 1960, Brasil 1987
Resultado Reforma Sanitária Brasileira, criação do Sistema Unico de Saúde - SUS, Reforma Psiquiátrica (Lei 10216 de 2001, Lei Paulo Delgado)
O **Movimento Antimanicomial** ou **Luta Antimanicomial** é um movimento social que luta pelos direitos das pessoas em sofrimento mental e advoga pelo fim da lógica manicomial nos cuidados em saúde.[1][2] No Brasil, o movimento impulsionou a reforma psiquiátrica que, a partir da realização do II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental em Bauru, instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial[3] e culminou na intervenção na Casa de Saúde Anchieta em Santos.[4]
## História
No Brasil, o dia 18 de maio remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.
Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Unico de Saúde - (SUS); está ligado também à experiência de desinstitucionalização da Psiquiatria desenvolvidas na comuna de Gorizia e na cidade de Trieste, na Itália, pelo médico e psiquiatra Franco Basaglia na década de 1960 com a Psiquiatria Democrática Italiana e o Pensamento Basagliano.[5][6] A experiência da Psiquiatria Democrática inicia através de transformações no modelo de assistência psiquiátrica, transformando o hospital em comunidade terapêutica e produzindo melhorias nas condições de hospedaria, no cuidado técnico aos internos, e nas relações entre a sociedade e a loucura.[5]. Basaglia, assim como Frantz Fanon antes dele, percebeu os limites da transformação do hospital psiquiátrico, e passa a propor um modelo de matriz territorial e comunitária, com base em um sistema descentralizado que irá influenciar a luta antimanicomial brasileira.
Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, definida pela Lei 10216 de 2001 (Lei Paulo Delgado) como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferido o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.
Segundo os estudos de Paulo Amarante, coordenador do livro Loucos Pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil,[7] a reforma psiquiátrica é um processo complexo,[8] pode-se registrar como evento inaugural, desse movimento, a crise institucional vivida pela Divisão de Saúde Mental do Ministério da Saúde,(DINSAM) na década de setenta.
Política pública de saúde mental é um processo político e social complexo, composto de participantes, instituições e forças de diferentes origens que acontece em diversos territórios. É um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, e é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da política avança, passando por tensões, conflitos e desafios.[9]
Nos séculos passados, quando ainda não havia um controle institucionalizado de saúde mental, a loucura era uma questão privada, e as famílias eram responsáveis por seus membros com transtorno mental. Os loucos eram livres para circular nos campos, mas também eram alvo de chacotas, zombarias e escárnio público.
Com o passar dos anos, começou então a discussão e luta pela implantação de serviços de saúde mental no Brasil. Foi ai então que surgiram as primeiras instituições, no ano de 1841 na cidade do Rio de Janeiro, que era um abrigo provisório, logo após surgirem outras instituições como hospícios e casas de saúde. Somente no final do século XX é que a militância por serviços humanizados consegui às primeiras implantações de Centros de Atenção Psicossocial os CAPS .
Foi em 2001 que a Lei Paulo Delgado foi sancionada no país. A Lei redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios.
As condições da saúde mental no Brasil evoluíram, porém a Luta Antimanicomial não parou. Ainda acontecem manifestações em todo o país no dia 18 de maio, para que se mantenha vivo o cuidado com os doentes, e para que fique claro que eles não devem ser excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente, mas sim orientados e acompanhados para que possam encontrar seu lugar no mundo.
## Ver também
* Eletroconvulsoterapia
* História da Loucura
* História da Psiquiatria
* Nise da Silveira
* Psicofarmacologia
* Saúde mental
* Psicologia comunitária
## Referências
↑ Alves, BIREME / OPAS / OMS-Márcio. «18/5 – Dia Nacional da Luta Antimanicomial». Consultado em 11 de janeiro de 2022 Texto " Biblioteca Virtual em Saúde MS " ignorado (ajuda)
↑ Almeida, Daniela Lima de (24 de dezembro de 2018). «Assistência em saúde mental: da lógica manicomial à reforma psiquiátrica». ECOS - Estudos Contemporâneos da Subjetividade. pp. 302–313. Consultado em 11 de janeiro de 2022
↑ «Laps - Linha do Tempo - II Congresso Nacional dos Trabalhadores de Saúde Mental, onde acontece a criação do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial». laps.ensp.fiocruz.br. Consultado em 11 de janeiro de 2022
↑ «Ex-internos da casa dos horrores relatam a vida depois do hospício - Emais». Estadão. Consultado em 11 de janeiro de 2022
↑ Ir para: a b Fernandes Carneiro, Mára Lúcia. «Quem foi Franco Basaglia?». Projeto e-Psico, Departamento de Psicologia Social da UFRGS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Consultado em 15 de maio de 2019
↑ Carla Luiza Oliveira (2011). O pensamento de Franco Basaglia na área da Saúde Mental (Relatório). VI Encontro Nacional de Psicologia Social da Associação Brasileira de Psicologia Social - ABRAPSO: Universidade Federal de Minas Gerais. Consultado em 15 de maio de 2019. "O movimento de luta antimanicomial da Itália iniciou-se na década de 1960. A Psiquiatria Democrática tinha como líder Franco Basaglia, psiquiatra italiano, que durante sua caminhada profissional possibilitou a realização de novas alternativas para os saberes e as práticas em saúde mental"
↑ AMARANTE, Paulo. Loucos Pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil Realease Arquivado em 17 de dezembro de 2005, no Wayback Machine.
↑ «Textos da Mostra em Saúde Mental da UFES». Consultado em 1 de novembro de 2006. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2007
↑ RESENDE,Heitor. Cidadania e Loucura: Políticas de Saúde Mental no Brasil. 7. Ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
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https://www.instagram.com/p/CjqN45CrOwB/
# "Nem tudo que foge à normal é um diagnóstico psiquiátrico."
### - @[despatologiza](https://www.instagram.com/despatologiza)
Ampliar a divulgação sobre diagnósticos psiquiátricos e seus sintomas, principalmente nas redes sociais, nem de longe é democratizar e fazer um debate sério sobre saúde mental.
As redes sociais têm exposto como o que é considerado “normal” tem sido cada vez mais estrangulado.
O que temos visto, em geral, nessas divulgações populares sobre pretensos diagnósticos é uma lógica em que os distúrbios falam pelos indivíduos, ficando eles assujeitados a uma categoria diagnóstica.
Nomear o sofrimento em si não é o problema. O nome pode ajudar a validar socialmente o que se passa, traçar um norte para lidar com aquela problemática...
Entretanto, seria inocência considerar que essa massiva produção sobre diagnósticos contribui beneficamente para pensarmos sobre saúde e sofrimento mental. O que se percebe é muito mais uma banalização de categorias diagnósticas, num contexto em que normas, valores sociais e até mesmo questões de ordem política e social têm sido biologizadas.
Leia a discussão completa nos cards do post.
Referências bibliográficas
Ribeiro, Alexandre Simões et al. Psicopatologia na contemporaneidade: análise comparativa entre o DSM-IV e o DSM-V* * Programa Interno de Incentivo à Pesquisa e à Extensão (Proinpe) da UEMG - Unidade Acadêmica Divinópolis, 2015-2016. Grupo de pesquisa PESC: Plataforma de Estudo e Pesquisa sobre Subjetividade e Contemporaneidade. . Fractal: Revista de Psicologia [online]. 2020, v. 32, n. 1 [Acessado 13 Outubro 2022] , pp. 46-56.
McKinnon, Susan. Genética Neoliberal: uma crítica antropológica da psicologia evolucionista. Ubu Editora, 2021. 224 pp.
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#diagnosticopsiquiatrico #sofrimentomental #sofrimentopsiquico
#saudemental #psicopatologia #saudementalcritica #medicalização #patologização #despatologiza #psicologia #psicologiacritica #psicoterapiaonline
3w
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# "Responder com raiva a situações abusivas não é desequilíbrio mental."
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A normatização da passividade nos faz crer que tanto sentir, como responder com raiva a situações abusivas é digno de vergonha, pois indica um desequilíbrio mental.
Situações abusivas não se restringem somente a relacionamentos amorosos, mas são vivenciadas também em relações no trabalho, na família, nas amizades e em qualquer outro espaço social.
Muitas vezes somos ceifados de exprimir nossa raiva e senti-la, afinal, a “forma correta” de reagir frente a qualquer circunstância abusiva é com diálogo, gentileza, respeito.
Sair disso seria indicativo de um “problema de autocontrole”, o que poderia configurar um “desequilíbrio mental”.
Mas por que será que se consolida com tanta força em nossa cultura essa norma da raiva como sinônimo de algo sempre negativo?
Lembrando que mulheres são uma das maiores vítimas desse discurso, sendo acusadas de desequilibradas e histéricas quando comunicam insatisfações, tendo a própria sanidade e percepção colocadas à prova. Pessoas negras ao exprimirem descontentamento com desrespeitos também são lidas como raivosas. Crianças que demonstram raiva com maior frequência são usualmente patologizadas.
Talvez o ponto seja questionar o porquê de estarmos entendendo determinados comportamentos como desequilíbrio mental. Questionar: quem tem direito a sentir e expressar raiva em nossa sociedade?
A raiva pode ser um sentimento potente. É ela quem nos alerta e mobiliza em contextos de opressões, desrespeitos, violências.
Sem a raiva nos tornamos passivos e submissos. Não há reinvindicação, não há luta, não há melhorias.
Lembremos: patologização da vida e opressões sociais caminham de mãos dadas.
Se revoltar às vezes é preciso. A raiva é precisa.
#raiva #relacionamentoabusivo #relacaoabusiva #desequilibriomental #passividade #culpa #vergonha #autocontrole #autocontroleemocional #adoecimentopsiquico #sofrimentomental #psicologia #psicoterapia #psicoterapiaonline #saudementalcritica #despatologiza #despatologização #autocuidado #autoconhecimento
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# "Não se combate o fascismo estigmatizando a loucura."
### - @[despatologiza](https://www.instagram.com/despatologiza)
A exaustiva repetição do discurso de que antidemocráticos e fascistas são provenientes da loucura só aponta para como pessoas que estão à margem da normalidade do capital (os loucos) são estigmatizadas, enquanto, aquelas que são criminosas são desresponsabilizadas por seus atos.
Friso aqui como atualmente sobretudo a branquitude tem se valido e usufruído do discurso da loucura como tentativa de se esquivar de suas ações criminosas, enquanto a população preta e pobre é encarcerada em massa nas prisões e manicômios.
Se valer do discurso da loucura, nesse contexto, é ser conivente com a manutenção da desimplicação de determinados grupos sociais dos seus próprios atos, como se tudo se resumisse a uma questão psicopatológica. Além de (re)produzir preconceitos com as pessoas que se encontram em sofrimento mental.
Que nomeemos propriamente as coisas como aquilo que são. O que segue em curso nessas movimentações pelo país é fruto de uma onda antidemocrática, autoritária, contrária ao Estado Democrático de Direito, fascista.
Urge uma esquerda que rompa com a lógica manicomial e tudo aquilo que ela representa: o higienismo social, a segregação dos marginalizados, a tutela dos corpos, a violência e os maus tratos.
Não se combate ações antidemocráticas e fascistas alimentando a lógica manicomial e a patologização da vida.
#antimanicomial #lutaantimanicomial #patologização #patologizaçãodavida #despatologiza #medicalização #desmedicalização #psiquiatria #esquerda #saudemental #saudementalcritica
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https://archive.is/E3lZQ
https://observatorio3setor.org.br/noticias/pm-reformado-enforca-ate-desmaiar-crianca-de-6-anos-porque-disse-lula-la/
06/11/2022
# PM reformado enforca até desmaiar criança de 6 anos porque disse “Lula lá”
Maria Fernanda Garcia
### Um policial militar reformado é suspeito de enforcar uma criança de 6 anos que teria dito palavras de apoio ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Divinópolis, região Centro-Oeste de Minas Gerais.
Um policial militar reformado é suspeito de enforcar uma criança de 6 anos que teria dito palavras de apoio ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Divinópolis, região Centro-Oeste de Minas Gerais. O caso aconteceu no último domingo (30/10), segundo turno da eleição presidencial.
A mãe da criança, Reisla Naiara Gomes, usou as redes sociais para denunciar o caso. Segundo o boletim de ocorrência, familiares informaram que a criança teria ido até uma padaria próxima de casa, quando foi abordada pelo militar de 55 anos. O comércio pertence à família do policial reformado.
O homem questionou o menino sobre política. A criança respondeu dizendo “Lula lá”, e acabou sendo enforcada pelo militar, que só parou quando a vítima ficou inconsciente.
“Lá estavam o agressor, a mãe do agressor e o pai do agressor. Eles estavam discutindo Lula e Bolsonaro. Meu menino passou, o agressor passou a mão na cabeça dele e falou: ‘Você é Bolsonaro, você tem cara de ser Bolsonaro’. Aí meu menino falou: ‘Eu sou Lula lá’. No que ele falou, ele pegou meu filho pelo pescoço, enforcando meu filho, deixando ele sem ar até ele desmaiar. Quando ele desmaiou que ele soltou meu filho. Machucou o cotovelo dele”, contou a mãe da criança ao jornal O Estado de Minas.
A PM foi acionada e realizou os primeiros atendimentos à criança. O suspeito já havia deixado o local e não foi localizado.
Em nota, a Polícia Militar confirmou que foi acionada na noite de domingo (30/10). A agressão teria ocorrido às 9 horas. “De imediato, os policiais militares prestaram assistência à criança e a conduziram para o atendimento médico. As equipes se deslocaram até a residência do suposto autor com o escopo de adotar as providências, porém, este não foi localizado. O registro foi encerrado e entregue à Delegacia de Polícia Civil, tendo em vista o suposto fato se tratar de crime comum.”, informou a polícia.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou inquérito policial para apurar o caso. Ele segue em investigação pela delegacia do município.
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https://archive.is/qc8p8
https://theintercept.com/2021/06/08/denuncia-core-leandro-demori/
# Em vez de investigar uma denúncia do Intercept, a Polícia Civil decidiu investigar Leandro Demori por ter escrito este texto
### Tudo indica que a DRCI se tornou uma delegacia de repressão política. O Intercept não vai se curvar a isso, nunca.
The Intercept Brasil
8 de Junho de 2021, 16h22
<img src="https://archive.is/qc8p8/f9aa2c174b5eb422384d36d55d62b8e1d530136c.webp">
O estado policial que vem rapidamente erodindo a democracia no Brasil cumpre mais um capítulo nefasto. A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar Leandro Demori pela ousadia de fazer jornalismo e de questionar a própria Polícia Civil. Em uma inversão total de prioridades éticas e funcionais, a polícia decidiu agir contra o jornalista mensageiro em vez de investigar a grave denúncia feita pelo editor-executivo do Intercept. Em uma newsletter enviada a nossos assinantes no dia 8 de maio (e que vocês podem ler abaixo), Demori elenca evidências apuradas com fontes sobre a possível existência de um grupo de matadores agindo no coração da corporação.
O jornalista mostra que diversas ações da Core, a Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (a mesma que foi protagonista no massacre do Jacarezinho no mês passado), resultaram em dezenas de mortes seguindo o mesmo roteiro. “A Polícia Civil do Rio mantém um grupo de assassinos?”. Essa foi a pergunta inicial do artigo jornalístico publicado na news do Intercept, seguida de fatos públicos e notórios que deveriam mover as instituições para que se investigue a Core.
Em democracias saudáveis, a polícia estaria preocupada com a pilha de mortos que a Core vem deixando em suas operações. No Brasil dos nossos tempos, a polícia quer intimidar e pressionar o mensageiro. Demori foi intimado a comparecer na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática na próxima quinta-feira, às 14h. A DRCI é a mesma que intimou Willam Bonner, Renata Vasconcellos e Felipe Neto, em casos com evidente viés político. Tudo indica que a DRCI se tornou uma delegacia de repressão política. O Intercept não vai se curvar a isso, nunca.
No Brasil de 2021, jornalistas são investigados por fazer seu trabalho, mas isso não vai parar o Intercept. Contra o arbítrio, continuaremos investigando, denunciando e revelando tudo o que eles querem esconder. O jornalismo independente está sob ataque e nós precisamos de ajuda para resistir. Nosso trabalho é custoso: envolve produtores, redatores, jornalistas, mas também um amplo aparato jurídico.
## A facção da Core
Paira no ar a ideia de que o massacre do Jacarezinho enfraquece o poder do Comando Vermelho para favorecer as milícias. Está longe de ser uma ideia descabida, diga-se. Em uma cidade cada vez mais dominada por gente como Adriano da Nóbrega e pelos comparsas do “cara da casa de vidro”, é natural que se faça a ligação entre uma coisa e outra. De modo simbólico, sim, é possível que as milícias aplaudam o massacre. Mas eu quero dar um passo em outra direção.
Antes: até poucos anos atrás, acreditava-se que seria impossível que a milícia entrasse na Cidade de Deus, por exemplo. A favela é muito cobiçada e, hoje se sabe, está sendo comida pelas bordas pelos milicianos. No Jacarezinho é diferente. O Comando Vermelho é muito forte em toda a região: Manguinhos, Arará, Mandela, Urubu, Mangueira, Alemão, Penha, Maré.
Então se não existe, até hoje, movimentação evidente de que grupos milicianos estejam ativamente tentando invadir o Jacarezinho, o que sobra? Evidências de que a Polícia Civil do Rio de Janeiro está mantendo impune um grupo de assassinos.
Policiais que participaram do massacre de quinta-feira – 24 mortos ainda sem nome – são conhecidos à boca pequena como “facção da Core”, a Coordenadoria de Recursos Especiais. A história cresce quando juntamos outros fatos: a “facção” está envolvida no caso João Pedro (menino de 14 anos, morto durante uma operação), na chacina do Salgueiro (oito mortos) e no caso do helicóptero da Maré (oito mortos). São 41 homicídios somente nesses casos. Quantos mais?
É preciso que se investiguem as circunstâncias e os responsáveis dessas operações assassinas. Mas não só isso. É preciso apurar as intenções desses massacres. Não parece que tudo isso possa ficar na conta de seguidas trapalhadas. A PGR precisa devassar a vida dos delegados que comandaram a ação. São agentes públicos. Precisamos saber se ainda somos nós – que pagamos seus salários – os seus verdadeiros patrões.
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https://archive.is/42WpK
https://www.metropoles.com/brasil/felipe-neto-reage-contra-bolsonaro-e-cria-frente-cala-boca-ja-morreu
Brasil
# Felipe Neto reage contra Bolsonaro e cria frente “Cala boca já morreu”
### A iniciativa, que contemplará ações criminais, cíveis e administrativas, contará com a participação dos escritórios de especialistas
Da Redação
18/03/2021 12:33, atualizado 18/03/2021 12:33
<img src="https://archive.is/42WpK/97e0feff84317a83a261e098f689aafb20e1f422.webp">
Rio de Janeiro – Intimado a depor por ter chamado o presidente Jair Bolsonaro de “genocida”, o influencer Felipe Neto reuniu nomes de peso do direito brasileiro em prol de todos que se manifestarem contrariamente ao governo Bolsonaro.
A frente “Cala boca já morreu” será formada pelos escritórios de André Perecmanis, Augusto de Arruda Botelho e Davi Tangerino, que, juntos, vão defender gratuitamente as pessoas que expressarem uma ideia ou criticarem uma autoridade pública.
O serviço poderá ser usufruído por qualquer indivíduo que não possua advogado constituído. Por meio de uma landing page, será possível acionar a equipe responsável pelos encaminhamentos jurídicos.
[A queixa-crime foi aberta, segundo o próprio Carlos, na última quinta-feira (11/3), contra o youtuber e a atriz Bruna Marquezine, alegando difamação contra o presidente Bolsonaro.](https://archive.is/o/42WpK/https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/carlos-bolsonaro-processa-felipe-neto-e-bruna-marquezine-por-calunia)
Felipe Neto conseguiu suspender na Justiça a investigação em envolvendo presidente. Ele teria que prestar depoimento nesta quinta-feira (18/3) na [Delegacia de Repressão a Crimes de Informática](https://archive.is/o/42WpK/www.policiacivilrj.net.br/), na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, zona norte.
## Liberdade de expressão
“A liberdade de expressão no Brasil está sob ataque de violentos inimigos da democracia. Querem intimidar e silenciar a todos aqueles que criticam autoridades públicas, eleitas pelo povo, e que exercem o poder que têm em nome desse mesmo povo. E para isso, se armam da Lei de Segurança Nacional, herança do passado mais terrível e assombroso do país: a ditadura militar”, destaca Augusto de Arruda Botelho.
“O ‘Cala boca já morreu’ será um grupo da sociedade civil que vai lutar contra o autoritarismo e que será movido pelo princípio de que quando um cidadão é calado no exercício do seu legítimo direito de expressão, a voz da democracia se enfraquece. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que nos calem e não vamos”, finaliza Felipe Neto, idealizador do projeto.
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https://archive.is/PG3dZ
https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/05/felipe-neto-defende-paola-carosella-dos-bolsonaristas-colossalmente-burros.shtml
# Felipe Neto defende Paola Carosella dos bolsonaristas: 'Colossalmente burros'
### Youtuber assina embaixo as declaração da chef de cozinha criticando os defensores do presidente
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Felipe Neto compra mais uma briga contra os apoiadores do presidente Bolsonaro ao defender a chef de cozinha - Instagram/felipeneto
23.mai.2022 às 16h53
Felipe Neto, 34, se meteu em mais uma polêmica contra os defensores de Jair Bolsonaro (PL). Tudo começou depois que Paola Carosella, 49 foi alvo de ataques após a viralização de uma declaração da famosa chef de cozinha. Recentemente em uma entrevista, ela apontou dois motivos que atrapalhariam as relações com quem apoia o atua presidente do Brasil: "Porque é um escroto, ou porque é burro". Paola ainda garantiu que ninguém da sua família é apoiador de Bolsonaro.
O youtuber, então, usou as redes sociais para sair em defesa de ex-apresentadora do MasterChef Brasil da Band. "Paola Carosella está certíssima. Todo bolsonarista ou é escroto ou burro. O único erro dela foi porque eu colocaria um ‘colossalmente’ antes de cada adjetivo. Bolsonarista não é apenas ‘escroto’, é ‘colossalmente escroto’ ou ‘colossalmente burro'", escreveu no Twitter.
"Morrendo de rir com bolsonaristas achando que vão cancelar uma das melhores chefs de cozinha do mundo. Só 36% do país aprova esse genocida aliado da milícia. Vocês não cancelam mais ninguém. Não conseguiram comigo e não conseguirão com a Paola", completou ainda Felipe Neto.
[1 / 32 Imagens da chef Paola Carosella](https://archive.is/o/PG3dZ/https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1673480478855066-imagens-da-chef-paola-carosella)
Paola Carosella Julia Rodrigues mar.2022/Uol
O trecho da entrevista ao podcast Diacast viralizou nas redes neste final de semana e muitos apoiadores do atual presidente passaram a criticar a chef. As palavras "escrota" e "argentina" chegaram a ficar entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta segunda-feira (23).
Alguns internautas chegaram a falar que Carosella, nascida na Argentina e naturalizada brasileira, deveria voltar para seu país de origem e sugeriram um boicote ao Arturito, restaurante da chef, em São Paulo.
Há duas semanas, Felipe Neto denunciou pelas redes sociais algumas ameaças que a mãe dele, Rosa, tem recebido via WhatsApp. Em uma mensagem cujo print foi compartilhado por ele, uma pessoa diz que pretende destruir a vida dela custe o que custar. Ele também a xinga e diz que nem "seus filhos vão te tirar dessa".
Neto afirmou que não era a primeira vez que algo dessa natureza acontecia. "Mais uma vez enviaram ameaças pesadas para a minha mãe. Já estamos tomando as providências. Descobrimos de onde veio, e minha mãe está indo na delegacia", escreveu ele reforçando que já são três anos de ameaças. "Vamos até o fim dessa vez. Chega de viver apenas com medo. Vamos vencer".
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https://archive.is/52JAP
https://bandnewsfmrio.com.br/editorias-detalhes/felipe-neto-e-intimado-a-depor-sob-acusacao-d
Polícia
Home > Cidade > Felipe Neto é intimado a depor sob acusação de crime contra a segurança nacional
# Felipe Neto é intimado a depor sob acusação de crime contra a segurança nacional
### Segundo a Polícia Civil, Pablo Sartori, a ação ocorreu após uma petição do vereador Carlos Bolsonaro
Por Maria Eduarda Aloan, às 20:47 - 15/03/2021
A Polícia Civil do Rio intimou o influenciador digital e youtuber Felipe Neto a depor sob acusação de crime contra a segurança nacional.
Segundo o delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, Pablo Sartori, a ação ocorreu após uma petição do vereador do Rio, pelo Republicanos, Carlos Bolsonaro.
Em uma rede social, Felipe Neto disse que a ação foi motivada após ele chamar o presidente Jair Bolsonaro de genocida diante da conduta da pandemia da Covid-19 no país. Ele deve ser ouvido e, em seguida, o caso será encaminhado à Justiça.
O youtuber ainda destacou que a equipe jurídica dele está ciente do ocorrido e já está adotando todas as medidas cabíveis para cessar mais uma tentativa do que classificou de silenciamento, fruto de uma clara perseguição da extrema-direita desesperada pela ascendente perda de popularidade.
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https://archive.is/Ck7gl
https://twitter.com/felipeneto/status/1371551189154807810
1) Um carro da polícia acaba de vir na minha casa.
Trouxeram intimação p/ q eu compareça e responda por
CRIME CONTRA SEGURANÇA NACIONAL
Pq chamei Jair Bolsonaro de genocida.
Carlos Bolsonaro foi no mesmo delegado q me indiciou por "corrupção de menores".
Sim, é isso mesmo.
<img src="https://archive.is/Ck7gl/2c9ec8cbc75631705acf111a7ca96096bf48f2f4.jpg">
12:57 PM - 15 Mar 2021
3,045 Retweets 31,422 Likes
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2) A clara tentativa de silenciamento se dá pela intimidação. Eles querem que eu tenha medo, que eu tema o poder dos governantes.
Já disse e repito: um governo deve temer seu povo, NUNCA o contrário. Carlos Bolsonaro, vc não me assusta com seu autoritarismo.
Não vai me calar.
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3) Minha atribuição do termo "genocida" ao Presidente se dá pela sua nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia, o que contribuiu diretamente para milhares de mortes de brasileiros.
Uma crítica política não pode ser silenciada jamais!
<img src="https://archive.is/Ck7gl/2095a3708194c7efbc7302f003b223bd55659278.jpg">
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4) STJ já arquivou processo de crime contra a segurança nacional por críticas ao Presidente, qnd tentaram silenciar à força Marcelo Feller, justamente por chamar Bolsonaro de genocida.
NGM será silenciado à força nesse país por criticar seu pai, Carluxo.
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ministro-do-stj-invoca-prestigio-a-liberdade-de-imprensa-e-suspende-interrogatorio-do-advogado-marcelo-feller-em-inquerito-de-lei-de-seguranca-nacional-por-criticas-a-bolsonaro/
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https://archive.is/R9DUm
https://oglobo.globo.com/brasil/autor-de-ameacas-na-casa-de-felipe-neto-estava-no-grupo-que-jogou-fogos-de-artificio-no-stf-24559889?versao=amp
# Autor de ameaças na casa de Felipe Neto estava no grupo que jogou fogos de artifício no STF
### Homem que foi à casa do youtuber no Rio com carro de som se identifica nas redes sociais como Cavalieri, 'guerreiro de Bolsonaro'
Marlen Couto
30/07/2020 - 22:08 / Atualizado em 31/07/2020 - 13:50
<img src="https://archive.is/R9DUm/493e3ed7ba3e99b4d00fe8777cd99dea88ce63fe.jpg">
Em montagem compartilhada em seu perfil nas redes, Cavalieri aparece com fuzil ao lado de Felipe Neto Foto: Reprodução
RIO — Um dos homens que foram acompanhados de um carro de som ameaçar o youtuber Felipe Neto em frente à sua residência no Rio de Janeiro, na última quarta-feira, estava também no grupo que lançou fogos de artifício no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, no mês passado. Ele se identifica nas redes sociais como Cavalieri, o "guerreiro de Bolsonaro".
**Leia mais** : [Felipe Neto, viva seu antifascismo!](https://archive.is/o/R9DUm/https://blogs.oglobo.globo.com/ruth-de-aquino/post/felipe-neto-viva-seu-antifascismo.html)
Cavalieri apareceu em um dos vídeos do ato em frente à Corte que circularam nas redes sociais na época. Na ocasião, identificou-se como "Cavalieri do Otoni, assessor do deputado federal Otoni de Paula", que é aliado do presidente Jair Bolsonaro. Não há registro, no entanto, no site na Câmara de nenhum assessor do parlamentar com este nome.
** Sonar** : [Entre ataques e elogios, Felipe Neto mobilizou mais de um milhão de menções no Twitter](https://blogs.oglobo.globo.com/sonar-a-escuta-das-redes/post/entre-ataques-e-elogios-felipe-neto-mobilizou-mais-de-um-milhao-de-mencoes-no-twitter.html)
<img src="https://archive.is/R9DUm/f351d2e95de06af1c3d5ed77d347312c55427a0d.jpg">
Apoiador do presidente Jair Bolsonaro identificado como Cavalieri fez ameaças a Felipe Neto Foto: Reprodução
Em seu perfil no Facebook, Cavalieri postou, nesta quinta-feira, um vídeo em que aparece na frente do condomínio onde mora Felipe Neto. Na postagem comentou: "Ontem estive na porta do condomínio onde ele mora, e o desafiei para um debate, mas o covarde não apareceu, fica fácil se fazer de macho atras (sic) das câmeras! Quer destruir a instituição mais importante de todas, que é a família".
Cavalieri fez diversas postagens em tom de ameaça a Felipe Neto nas redes. Em uma montagem, que circulou também em grupos bolsonaristas no WhatsApp esta semana, aparece com um fuzil ao lado do youtuber.
**Leia mais** : [Por que Felipe Neto se tornou alvo do bolsonarismo nas redes](https://blogs.oglobo.globo.com/sonar-a-escuta-das-redes/post/por-que-felipe-neto-se-tornou-alvo-do-bolsonarismo-nas-redes.html)
Felipe Neto, que se tornou um dos principais nomes da oposição a Bolsonaro nas redes, tem sido alvo de ataques e mensagens falsas. A hashtag #TodosContraFelipeNeto ficou em primeiro lugar no Twitter nesta semana, associada a um tuíte falso acusando o influenciador de pedofilia. A montagem atribuída a Felipe Neto estampava a frase “criança é que nem doce, eu como escondido” e foi classificada por diversos serviços de checagem do país como falsa. A mesma frase já havia aparecido em um meme com ataques ao Papa Francisco. Em seus perfis, Felipe Neto informou que só no Facebook e Instagram conseguiu retirar do ar, entre a última segunda e terça-feira, mais de 1,8 mil vídeos com informações falsas, entre elas as que o acusavam de pedofilia.
**Analítico:** [Governo Bolsonaro quer liberar ou vigiar as opiniões nas redes?](hhttps://oglobo.globo.com/analitico/governo-bolsonaro-quer-liberar-ou-vigiar-as-opinioes-nas-redes-24560546)
A escalada de ataques coincide com um reposicionamento do influenciador digital e empresário, de 32 anos. Dos vídeos de entretenimento e humor voltados para o público infanto-juvenil, Neto passou a falar com um público mais velho e a criticar com frequência Bolsonaro no Twitter. A ofensiva da base bolsonarista contra ele ganhou força principalmente após o youtuber publicar um vídeo em inglês no jornal americano “The New York Times” há duas semanas, em que defendeu que Bolsonaro é o pior presidente no mundo no combate à crise associada à pandemia de Covid-19.
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https://archive.is/jSik6
https://www.jb.com.br/pais/informe-jb/2021/03/amp/1028985-policia-do-rio-vai-a-casa-de-felipe-neto-e-o-intima-por-crime-contra-a-seguranca-nacional.html
Informe JB
# Polícia do Rio vai à casa de Felipe Neto e o intima por 'crime contra a segurança nacional'
### Com anuência do governador bolsonarista Claudio Castro, delegacia de polícia no Rio é usada como quartel general do bolsonarismo para censurar a livre expressão cidadã contra o presidente da República
Por INFORME JB: redacao@jb.com.br
Publicado em 16 de Março, 2021 às 9:12
<img src="https://archive.is/jSik6/3bd6caa662d8dfbb59a57ca80682ee621bc5dc85.jpg">
Governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro
Carlos Magno
Por meio de uma série de publicações nas redes sociais, o influenciador digital Felipe Neto mostrou como foi intimado pela polícia com base na Lei de Segurança Nacional.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) decide o futuro da Lei de Segurança Nacional do Brasil, o influenciador Felipe Neto informou nessa segunda-feira (15) que foi intimado a prestar depoimento em um inquérito aberto contra ele.
Segundo a intimação, o inquérito foi feito após Felipe Neto ter chamado o presidente Jair Bolsonaro de "genocida", e o procedimento investigatório teria sido aberto a partir de denúncia do vereador Carlos Bolsonaro.
"Minha atribuição do termo genocida ao presidente se dá pela sua nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia, o que contribuiu diretamente para milhares de mortes de brasileiros. Uma crítica política não pode ser silenciada jamais", completou o influenciador.
Vale lembrar que o vereador Carlos Bolsonaro havia afirmado na última quinta-feira (11) ter aberto uma queixa-crime contra a atriz Bruna Marquezine e Felipe Neto por supostos crimes de difamação contra o presidente Jair Bolsonaro.
Em sua publicação, Carlos citou o artigo 138 do Código Penal, que versa sobre calúnia. Ainda de acordo com ele, "encaminhamos queixa-crime contra Bruna Marquezine e Felipe Neto por supostos crimes contra o presidente da República. Ódio do Bem", escreveu.
Após a prisão do deputado Daniel Silveira, a Lei de Segurança nacional está sendo utilizada por parlamentares de todos os espectros políticos para atingir adversários. Há uma série de ações no STF que pedem para que o texto da lei seja reescrito.
Não obstante, no início do mês, um jovem de 24 anos foi preso em flagrante em Uberlândia (MG) por conta de uma publicação em uma rede social. Ele foi enquadrado na mesma Lei de Segurança Nacional utilizada para intimar Felipe Neto.(com agência Sputnik Brasil)
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https://archive.is/KyhK9
https://revistaforum.com.br/brasil/policia-vai-a-casa-de-felipe-neto-e-o-intima-por-crime-contra-a-seguranca-nacional-por-chamar-bolsonaro-de-genocida/amp/
<img src="https://archive.is/KyhK9/3fac1d29fd0374b895f539be87f451e14a77c539.png">
Reprodução
Início / Brasil
# Polícia vai à casa de Felipe Neto e o intima por “crime contra a segurança nacional” por chamar Bolsonaro de “genocida”
### O crime pelo qual o influenciador foi intimado está previsto em lei criada na ditadura militar; "Não vão me calar"; disse Neto
Por Por Ivan Longo
15 mar 2021 - 17:09
O influenciador Felipe Neto informou através de suas redes sociais, nesta segunda-feira (15), que foi intimado a prestar depoimento em um inquérito aberto contra ele por “crime contra a segurança nacional”. Segundo o youtuber, o motivo teria sido o fato de ele ter chamado o presidente Jair Bolsonaro de “genocida”, e o procedimento investigatório teria sido aberto a partir de denúncia do vereador Carlos Bolsonaro.
“Um carro da polícia acaba de vir na minha casa. Trouxeram intimação p/ q eu compareça e responda por CRIME CONTRA SEGURANÇA NACIONAL Pq chamei Jair Bolsonaro de genocida. Carlos Bolsonaro foi no mesmo delegado q me indiciou por ‘corrupção de menores’. Sim, é isso mesmo”, escreveu Neto junto a uma foto da intimação.
O “crime contra a segurança nacional” está previsto na Lei de Segurança Nacional, criada na ditadura militar para reprimir opositores ao regime.
## [Leia também: Paulo Teixeira (PT) quer extinguir Lei de Segurança Nacional e criar “lei anti-golpe”](https://archive.is/o/KyhK9/https://revistaforum.com.br/politica/projeto-de-lei-antigolpe-de-paulo-teixeira-sera-discutido-na-camara-bolsonaro-e-um-perigo-ambulante/)
Na mesma postagem em que divulgou a intimação, o influenciador disse que não se intimida. “A clara tentativa de silenciamento se dá pela intimidação. Eles querem que eu tenha medo, que eu tema o poder dos governantes. Já disse e repito: um governo deve temer seu povo, NUNCA o contrário. Carlos Bolsonaro, vc não me assusta com seu autoritarismo. Não vai me calar”, escreveu.
“Minha atribuição do termo ‘genocida’ ao Presidente se dá pela sua nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia, o que contribuiu diretamente para milhares de mortes de brasileiros. Uma crítica política não pode ser silenciada jamais!”, completou o influenciador.
## Outra prisão por falar mal de Bolsonaro
No mesmo dia, André Constantine, liderança de movimento de favelas no Rio e militante do PT, foi preso pela Polícia Militar do Rio de Janeiro durante ato realizado no centro da capital carioca.
Conforme vídeo divulgado pelo Brasil 247, onde Constantine é colunista, o ativista discursava sobre a situação do país na pandemia do novo coronavírus, criticava o governo Bolsonaro e a polícia que, afirmou, “mata preto e favelado todos os dias”.
Após dizer a frase um PM arrancou o microfone do ativista e o levou preso. Segundo informações do 247, Constantine teria sido levado para a 5ª Delegacia de Polícia.
O ato era contra o armamento da Guarda Municipal do Rio.
Segundo o deputado estadual Waldeck Carneiro, de quem o ativista é assessor, Constantine já foi liberado. “O aguerrido André Constantine, colaborador do nosso mandato popular e coletivo, foi levado pela PM de maneira ARBITRÁRIA enquanto se manifestava contra o armamento da Guarda Municipal do Rio. André já foi liberado e está em segurança. Como ele sempre diz: Favela NÃO se cala! Resistiremos!”, tuitou.
Diversas lideranças e entidades já se manifestaram contra a prisão de Constantine. “Vivemos tempos de ditadura. PM interrompe manifestação e prende ativista André Constantine que denunciava, em ato na Cinelândia, assassinatos de negros e pobres praticados pela Polícia Militar. André é militante do movimento de favelas”, escreveu a CUT Rio.
Saiba mais [aqui](https://revistaforum.com.br/movimentos/video-pm-prende-militante-que-discursava-contra-bolsonaro-e-a-corporacao). [CONTEUDO FOI CENSURADO POREM RECUPERADO EM PROXIMOS ITENS ABAIXO]
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https://archive.is/QOfPj
https://www.jornalcidade.net/rc/bolsonarista-leva-carro-de-som-a-frente-da-casa-de-felipe-neto-e-acusa-youtuber/157276/amp/
Published by Redação JC in Política
# Bolsonarista leva carro de som à frente da casa de Felipe Neto e acusa youtuber
<img src="https://archive.is/QOfPj/a21a46a5a25d3791fd9cef162e8e7df4f6540597.jpg">
O youtuber Felipe Neto vem sendo alvo de diversos ataques, ameaças e boatos nos últimos dias. O influenciador digital já se posicionou várias vezes contra o presidente Bolsonaro e seu governo.
Na noite desta quinta (30), os ataques que até então eram virtuais chegaram à residência de Felipe Neto, no Rio de Janeiro.
Um homem que se identifica como Cavallieri, o guerreiro de Bolsonaro, estacionou um carro de som na porta do condomínio do youtuber e disparou diversas palavras contra Felipe Neto: “Pilantra, pilantra, pilantra. Para mim é um pedófilo disfarçado de apresentador de crianças”
Em suas redes sociais, Cavallieri tem diversas publicações contra o influenciador, inclusive em tom de ameaça. “É, Felipe Neto. A gente vai se encontrar em breve. Eu quero ver se ‘tu’ é macho. Eu quero ver ‘tu’ tirar onda comigo. Teus seguranças não me intimidam não, irmão, que aqui também o bonde é pesado”, diz em uma das publicações.
Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta, o influenciador se pronunciou sobre o ocorrido: “Virem atrás de mim, dentro da minha casa, é um nível de perseguição que eu não imaginei que aconteceria. Sabe aquele vilão de novela, que você fala assim: não existe na vida real? Mas existe. Ele está aí, ele acontece. E eu estou vendo agora na prática até onde as pessoas são capazes de ir”.
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https://archive.is/IaeFp
https://www.conjur.com.br/2021-mar-15/pedido-carluxo-delegado-intima-felipe-neto
Realidade paralela
# A pedido de Carluxo, delegado intima Felipe Neto por crime contra segurança nacional
15 de março de 2021, 18h19
Por Rafa Santos
<img src="https://archive.is/IaeFp/5ddc000fd5c16f6e485741e39f2936550d76f62a.jpg">
O youtuber e empresário Felipe Neto foi intimado após ser denunciado por crime contra segurança nacional
O empresário e youtuber Felipe Neto foi oficialmente intimado nesta segunda-feira (15/3). Em seu perfil no Twitter, revelou que uma viatura compareceu a sua casa para levar o documento.
Segundo ele, a denúncia partiu do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, por ele ter chamado o pai de "genocida".
"Carlos Bolsonaro foi no mesmo delegado que me indiciou por "corrupção de menores". Sim, é isso mesmo", escreveu.
Em novembro de 2020, o youtuber foi indiciado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em nota, a entidade afirma que o procedimento foi instaurado após um expediente do Ministério da Justiça que alega que o empresário teria supostamente divulgado material impróprio para crianças e adolescentes em seu canal no YouTube.
Na ocasião, o caso foi encerrado após Felipe Neto [assinar](https://www.conjur.com.br/2020-dez-23/felipe-neto-assina-tac-mp-ajustes-videos) um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Rio de Janeiro em que se comprometeu a fazer ajustes em seus vídeos no YouTube.
Com mais de 40 milhões de inscritos, Felipe Neto é um dos youtubers mais influentes do mundo. Inclusive foi incluído na tradicional lista organizada pela revista norte-americana "Time", no ano passado.
Nos dois casos, encarregado por investigar o caso foi o delegado Pablo Dacosta Sartori, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).
Neto classificou nas redes sociais o caso como "clara tentativa de silenciamento". Ele também afirmou que usa o termo "genocida" para se referir a Bolsonaro por conta da nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia". "Uma crítica política não pode ser silenciada jamais", alegou.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Felipe Neto também "afirma que sua equipe jurídica está ciente do ocorrido e já está adotando todas as medidas cabíveis para cessar mais uma tentativa de silenciamento, fruto de uma clara perseguição da extrema-direita, obviamente desesperada pela ascendente perda de popularidade".
A denúncia foi fundamentada na Lei de Segurança Nacional ([Lei 7.170/1983](www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7170.htm)). Criada em 1983, ainda na ditadura militar, a LSN tem [sustentado](https://www.conjur.com.br/2021-fev-28/uso-desmedido-revive-debate-reforma-lsn) uma série de pedidos de abertura de inquérito polêmicos.
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http://web.archive.org/web/20210304184543/https://revistaforum.com.br/movimentos/video-pm-prende-militante-que-discursava-contra-bolsonaro-e-a-corporacao/
https://archive.is/PbXRX
[CENSURADO] https://revistaforum.com.br/movimentos/video-pm-prende-militante-que-discursava-contra-bolsonaro-e-a-corporacao/ [CENSURADO]
# Vídeo: PM prende militante que discursava contra Bolsonaro e a corporação
### "A PM mata preto e favelado todos os dias", disse André Constantine, do movimento de favelas, antes de ser interrompido por um policial, que arrancou seu microfone; assista
Por Lucas Rocha
4 mar 2021 - 15:44
<img src="https://archive.is/PbXRX/4eea0cd4f61c63cd7a502c4271d4a8c846623097.jpg">
Reprodução
André Constantine, liderança de movimento de favelas no Rio e militante do PT, foi preso pela Polícia Militar do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (4) durante ato realizado no centro da capital carioca.
Conforme vídeo divulgado pelo [Brasil 247](https://archive.is/o/PbXRX/web.archive.org/web/20210304184543/https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/andre-constantine-e-preso-no-rio), onde Constantine é colunista, o ativista discursava sobre a situação do país na pandemia do novo coronavírus, criticava o governo Bolsonaro e a polícia que, afirmou, “mata preto e favelado todos os dias”.
Após dizer a frase um PM arrancou o microfone do ativista e o levou preso. Segundo informações do 247, Constantine teria sido levado para a 5ª Delegacia de Polícia.
O ato era contra o armamento da Guarda Municipal do Rio.
Segundo o deputado estadual Waldeck Carneiro, de quem o ativista é assessor, Constantine já foi liberado. “O aguerrido André Constantine, colaborador do nosso mandato popular e coletivo, foi levado pela PM de maneira ARBITRÁRIA enquanto se manifestava contra o armamento da Guarda Municipal do Rio. André já foi liberado e está em segurança. Como ele sempre diz: Favela NÃO se cala! Resistiremos!”, tuitou.
Diversas lideranças e entidades já se manifestaram contra a prisão de Constantine. “Vivemos tempos de ditadura. PM interrompe manifestação e prende ativista André Constantine que denunciava, em ato na Cinelândia, assassinatos de negros e pobres praticados pela Polícia Militar. André é militante do movimento de favelas”, escreveu a CUT Rio.
“Democracia? O ativista de favelas André Constatine foi preso, hoje, quando fazia uma fala contra a condução da crise sanitária pelo Governo Federal e contra a política de morte da “segurança pública” no RJ. Não podemos mais criticar? Vivemos em um regime totalitário?”, tuitou a deputada estadual Monica Francisco (PSOL-RJ).
“André Constantine, militante da luta antirracista e da periferia, foi PRESO por discursar contra Bolsonaro e em defesa da vida, no Rio. Ontem buscaram calar o professor Pedro Hallal. Hoje prendem por razões políticas um jovem. É a DITADURA”, escreveu a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).
“O ativista André Constantine, que atua no movimento de favelas no Rio, foi preso arbitrariamente durante o protesto #GuardaArmadaNão após dizer que a instituição “Polícia Militar mata preto, pobre e favelado todo dia”. Os PMs quebraram o microfone. Censura! Ajude a denunciar”, denunciou o vereador Chico Alencar (PSOL-RJ).
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https://archive.is/Z0fUG
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/18082022-Sexta-Turma-veda-atuacao-da-guarda-municipal-como-forca-policial-e-limita-hipoteses-de-busca-pessoal.aspx
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DECISÃO
18/08/2022 12:05
# Sexta Turma veda atuação da guarda municipal como força policial e limita hipóteses de busca pessoal
A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou o entendimento de que a guarda municipal, por não estar entre os órgãos de segurança pública previstos pela Constituição Federal, não pode exercer atribuições das polícias civis e militares. Para o colegiado, a sua atuação deve se limitar à proteção de bens, serviços e instalações do município.
O colegiado também considerou que só em situações absolutamente excepcionais a guarda pode realizar a abordagem de pessoas e a busca pessoal, quando a ação se mostrar diretamente relacionada à finalidade da corporação.
A tese foi firmada em julgamento de recurso no qual foram declaradas ilícitas as provas colhidas em busca pessoal feita por guardas municipais durante patrulhamento rotineiro. Em consequência, foi anulada a condenação do réu por tráfico de drogas.
O relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, destacou a importância de se definir um entendimento da corte sobre o tema, tendo em vista o quadro atual de expansão e militarização dessas corporações.
**Leia também: [Sexta Turma anula provas obtidas pela guarda municipal em investigação motivada por denúncia anônima](https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/04112021-Sexta-Turma-anula-provas-obtidas-pela-guarda-municipal-em-investigacao-motivada-por-denuncia-anonima.aspx)**
Segundo explicou, o propósito das guardas municipais vem sendo significativamente desvirtuado na prática, ao ponto de estarem se equipando com fuzis, armamento de alto poder letal, e alterando sua denominação para "polícia municipal".
## Atribuições da guarda municipal foram definidas na Constituição de 1988
O ministro apontou que o poder constituinte originário excluiu propositalmente a guarda municipal do rol dos órgãos da segurança pública (artigo 144, caput) e estabeleceu suas atribuições e seus limites no parágrafo 8º do mesmo dispositivo.
Schietti observou que, apesar de estar inserida no mesmo capítulo da Constituição, a corporação tem poderes apenas para proteger bens, serviços e instalações do município, não possuindo a mesma amplitude de atuação das polícias.
Conforme o ministro, as polícias civis e militares estão sujeitas a um rígido controle correcional externo do Ministério Público e do Poder Judiciário, que é uma contrapartida do exercício da força pública e do monopólio estatal da violência. Por outro lado, as guardas municipais respondem apenas, administrativamente, aos prefeitos e às suas corregedorias internas.
Para ele, seria potencialmente caótico "autorizar que cada um dos 5.570 municípios brasileiros tenha sua própria polícia, subordinada apenas ao comando do prefeito local e insubmissa a qualquer controle externo".
## Não é qualquer um que pode avaliar se há suspeita para a busca
O ministro explicou que a guarda municipal não está impedida de agir quando tem como objetivo tutelar o patrimônio do município, realizando, excepcionalmente, busca pessoal quando estiver relacionada a essa finalidade. Essa exceção, entretanto, não se confunde com permissão para realizar atividades ostensivas ou investigativas típicas das polícias no combate à criminalidade.
Em seu voto, Schietti assinalou que a fundada suspeita mencionada pelo [artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP)](www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm%23art244) é um requisito necessário para a realização de busca pessoal, mas não suficiente, porque não é a qualquer cidadão que é dada a possibilidade de avaliar sua presença.
**Leia também: [Revista pessoal baseada em "atitude suspeita" é ilegal, decide Sexta Turma](https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/20042022-Revista-pessoal-baseada-em-%E2%80%9Catitude-suspeita%E2%80%9D-e-ilegal--decide-Sexta-Turma.aspx)**
Quanto ao [artigo 301 do CPP](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm%23art301), que permite a qualquer pessoa do povo efetuar uma prisão em flagrante, o ministro observou que não é fundamento válido para justificar a busca pessoal por guardas municipais, ao argumento de que quem pode prender também poderia realizar uma revista, que é menos grave.
A hipótese do artigo 301, segundo ele, se aplica apenas ao caso de flagrante visível de plano, o qual se diferencia da situação flagrancial que só é descoberta após a realização de diligências invasivas típicas da atividade policial, tal como a busca pessoal, "uma vez que não é qualquer do povo que pode investigar, interrogar, abordar ou revistar seus semelhantes".
[Leia o voto do relator no REsp 1.977.119.](https://www.stj.jus.br/sites/portalp/SiteAssets/documentos/noticias/RESp1977119%2018082022.pdf)
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):
* [REsp 1977119](https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&termo=REsp+1977119)
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https://archive.is/U91Ew
https://theintercept.com/2021/03/02/policia-pm-rio-desobedecendo-stf/
# Polícia do Rio está há 153 dias desobedecendo o STF
### Em junho, o STF determinou o fim das operações em favelas do Rio. Em dois meses, os tiroteios, as mortes e a criminalidade caíram. Mas a PM do Rio não ficou satisfeita.
[Paula Bianchi](https://theintercept.com/equipe/paulabianchi/)
2 de Março de 2021, 5h15
<img src="https://archive.is/U91Ew/ffe46d69dc0c5f3fd8d365a24426486a5edf977f.webp">
Helicópteros usados pela PM do Rio são considerados “instrumentos de terror” por especialistas em segurança pública.
Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images
Enquanto você lê estas linhas, o helicóptero esquilo Fenix 2, que custou a bagatela de 20 milhões de dólares à época da compra, há mais de uma década, apodrece nos quintais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Sem decolar desde 2018 por falta de manutenção, ele se torna dia após dia um dos pedaços de sucata mais caros da administração pública carioca.
Eu sei para onde você acha que esse texto vai. Desperdício de dinheiro público, o Rio está perdido e xá lá lá lá. Mas a verdade é que ter menos uma aeronave da polícia em funcionamento nos céus do estado é, neste momento, um alívio.
São menos chances de repetirmos situações como a que ocorreu na Maré, na zona norte do Rio, em setembro 2019. Na época, policiais passaram cerca de uma hora atirando a partir de um helicóptero contra uma das favelas do complexo numa desastrada tentativa de prender o traficante Thiago da Silva Folly, o TH. No caminho dos cerca de 480 tiros disparados? Uma escola e, é claro, os moradores da comunidade, aterrorizados. De TH ainda não se tem notícias.
O descontrole vai além das balas que vem do céu e levou o Supremo Tribunal Federal a proibir a realização de operações policiais em favelas durante a pandemia – com ou sem helicópteros. Em liminar publicada em 5 de junho, o ministro Edson Fachin determinou que as operações só podem ser feitas em situações excepcionais, que deverão ser justificadas por escrito e comunicadas imediatamente ao Ministério Público do Rio de Janeiro.
A medida atendeu a uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF, para os íntimos –, do PSB, que questiona a política de segurança do “atirar na cabecinha” do já finado governo de Wilson Witzel.
Com menos operações da polícia, menos pessoas morreram em supostos confrontos com a polícia e, surpresa, a tal criminalidade que justificaria essas incursões também diminuiu, como mostram dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, o Geni, e do Datalab Fogo Cruzado, no relatório “Operações policiais e ocorrências criminais: Por um debate público qualificado”.
Nos 31 dias imediatamente posteriores à decisão do STF, houve reducão de 47,7% dos crimes contra a vida, que incluem homicídios dolosos, morte por intervenções de agente do estado, roubo seguido de morte e lesão corporal seguida de morte, em comparação com a média do mesmo período entre 2007 e 2019. Já os crimes contra o patrimônio – roubo de veículo, roubo de rua e roubo de carga – caíram 39%.
Segundo o professor da UFF Daniel Hirata, pesquisador do Geni e um dos responsáveis pelo levantamento, não há nenhum indicativo que as operações de fato sirvam para diminuir a criminalidade. Pelo contrário.
A ADPF, segundo ele, faz o que uma política de segurança responsável deveria fazer ao estabelecer limites, hoje inexistentes, para a atuação policial. A ação solicita, entre outros pontos, a formulação de um plano de redução da letalidade policial, que sejam evitadas ações perto de escolas e o uso de helicópteros como plataformas de tiro e “instrumentos de terror”.
Como todo dia no Rio é um dia excepcional, a liminar de Fachin funcionou. Até outubro. Ignorando o STF, a polícia voltou à carga com tudo e realizou ao menos 38 operações naquele mês. Foram 145 mortes por intervenção policial, quase o triplo das 52 registradas em setembro. E novembro, dezembro e janeiro não foram muito diferentes.
Em entrevista ao jornal O Globo, o delegado Allan Turnowski, atual secretário da Polícia Civil do Rio, declarou que a matança da polícia e a profusão de operações mostram, na verdade, que o estado está alinhado ao STF. Segundo ele, a polícia do Rio trabalha o tempo todo em casos de exceção. “A violência no Rio não é um caso de exceção? Quando o STF afirma que a polícia só pode trabalhar em situações de exceção, estamos totalmente respaldados”, afirmou Turnowski, denunciado por corrupção e envolvimento com bicheiros e milicianos.
Essa noção elástica de exceção levou a Defensoria Pública do Rio e outras organizações de direitos humanos a solicitarem ao STF em fevereiro o estabelecimento de “parâmetros para a devida compreensão do conceito de absoluta excepcionalidade”, já que o dicionário da polícia do Rio parece divergir do usado por Fachin. Em novembro, o ministro já tinha pedido explicações para o vale-tudo no estado.
Em nota técnica, a Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos defende que essa exceção se limite às circunstâncias em que a vida dos moradores esteja de fato em risco. Mas esse parece ser sempre o último elemento na conta da polícia. Oito meses após a decisão STF, a PM saiu armada para a rua até para encerrar baile funk.
Em janeiro, não faltaram policiais atirando a partir de helicópteros quando o Bope e PMs do 7º Batalhão da PM aterrorizaram moradores da Vila Candonza, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. No dia 3 de fevereiro, uma megaoperação com mais de 300 policiais virou do avesso oito favelas da zona norte do Rio numa ação considerada um sucesso por ter recuperado cinco fuzis, uma submetralhadora e quatro pistolas – ainda que tenha deixado para trás um saldo de dez mortos.
Azar de quem nasceu no CEP errado ou pense que as polícias, que zelam pelo cumprimento às leis, deveriam respeitar a mais alta corte do país e parar de matar.
## Correção – 2 de março de 2021, 10h15:
Diferentemente do publicado em uma primeira versão deste texto, o helicóptero esquilo Fenix 2 custou 20 milhões de dólares à época da compra, há mais de uma década, e não 20 mil dólares. A informação foi corrigida.
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https://archive.is/tSU3m
https://theintercept.com/2021/03/12/pm-parana-surto-covid-academia-militar-guatupe/
# PM esconde surto de covid-19 em academia militar e mantém alunos aglomerados no Paraná
### Pelo menos 25 oficiais em formação já pegaram a doença; contaminados são coagidos a esconder sintomas e seguir assistindo aulas.
[Felippe Aníbal](https://theintercept.com/staff/felippe-anibal/)
12 de Março de 2021, 9h30
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Foto: Divulgação/APMG
O cadete Kleber percebeu que tinha febre, dor de garganta, tosse e náuseas em 2 de fevereiro passado. Naquele dia, ele participava de atividades de campo na Academia Militar do Guatupê, que forma oficiais para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do Paraná. Assim como os colegas, ele havia feito exercícios que consistem em rastejar e caminhar em um lago, que lhe deixou por horas com a farda encharcada.
Kleber comunicou seus sintomas ao oficial que comandava o treinamento e deixou claro que temia estar com covid-19. Ele foi levado para fazer um teste de PCR e, em seguida, reintegrado à tropa. Assim, seguiu em contato permanente com a turma de cerca de 120 alunos.
Dois dias depois, saiu o resultado do exame: positivo. Foi o ponto de partida para um surto do novo coronavírus na academia, que até agora contaminou 25 alunos com entre 18 e 40 anos de idade – todos com diagnósticos confirmados, segundo documentos que o Intercept analisou mas não publica para preservar a segurança das fontes.
Mas a PM manteve o surto em sigilo e obrigou os cadetes a permanecerem no Guatupê, onde dormem em quartos coletivos com oito ocupantes cada. O curso funciona em regime de internato, visto pelos oficiais que o comandam veem como uma imersão no ambiente militar.
O comandante-geral da PM, o coronel Hudson Leôncio Teixeira, é um dos oficiais que pressiona os cadetes a desprezarem a covid-19, segundo denúncias que ouvimos. O Ministério Público do Paraná instaurou um procedimento sigiloso para investigar o caso.
Por telefone e por aplicativos de trocas de mensagens, conversei com quatro cadetes do Guatupê. Um deles adoeceu de covid-19. É a primeira vez que eles falam com um jornalista sobre o surto da doença na academia, que começou dias após o treinamento iniciado em 11 de janeiro e se agravou a partir do caso de Kleber, no início de fevereiro.
Eles foram unânimes no relato de que já houve 25 casos confirmados e na suspeita de que os doentes podem ser muitos mais. Também relataram a pressão direta dos oficiais para que os cadetes não reportem sintomas de covid-19, sob pena de sofrerem perseguição na corporação.
Na prática, a PM faz um esforço para silenciar a manifestação da doença em pessoas contaminadas, além de ocultar e negligenciar um surto preocupante da covid-19 num estado em que há filas por vagas em hospitais que atendem a vítimas do novo coronavírus.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o Paraná tinha na quarta-feira, 10 de março, a maior fila do país de doentes a espera de um leito para tratar covid-19. Ao todo, 1.185 pessoas estavam na fila – ou 25 vezes mais que um mês antes. Até o dia 10, quase 13 mil paranaenses haviam morrido vítimas da doença.
## Cadetes com sequelas
Uma das denúncias que motivou a investigação do Ministério Público detalha o caso de Kleber. Segundo o relato, o tenente Erlington José Medeiros de Barros, que conduzia o treinamento, “ignorou os fatos e submeteu o cadete a situação de escárnio, obrigando este a ficar em ambiente insalubre e molhado por várias horas, negando atendimento médico adequado” – o que pode ter agravado seu quadro.
Segundo colegas que ouvi, só após esperar por cerca de três horas com a farda molhada é que Kleber foi levado para fazer o teste, sem poder vestir roupas secas antes. Dali, voltou ao treinamento, realizado em grupo e em situação que impossibilita o cumprimento de medidas de isolamento social. Fotos e vídeos divulgados pela própria Academia do Guatupê e pela Escola de Oficiais da PM mostram os alunos em aglomerações e sem máscaras.
“Nessas atividades, você tem que comer com a mão e dividir barracas. São 120 pessoas, nenhuma usando máscara, correndo e cantando canções [de louvor à corporação], uma seguida da outra, respirando muito próximas. É impossível manter o isolamento determinado pelo próprio governo”, nos contou um dos cadetes.
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Alunos da Academia do Guatupê em atividade de campo na primeira semana de fevereiro: sem máscaras, aglomerados – e com doentes de covid-19 entre eles.Fotos: Reprodução/Polícia Militar do Paraná
Foi ainda durante o treinamento de campo que outros cadetes começaram a apresentar sintomas. Um deles, com quem conversamos, tossia muito e teve princípio de febre. Ele resolveu se aconselhar com colegas mais experientes, que lhe sugeriram que, se apontasse os sintomas, ele poderia sofrer perseguição do tenente Barros. Assim, mesmo com o agravamento de seu quadro, o aluno se manteve em silêncio, permanecendo na rotina da academia. Duas semanas depois, ele já não tinha sintomas, mas percebeu que sua capacidade pulmonar tinha sido comprometida. Resolveu fazer um exame de sangue sorológico num laboratório particular, que confirmou que ele já havia tido covid-19.
“Antes da covid-19, eu era o segundo da minha turma em corrida. Agora, sou o último. O cansaço, o comprometimento do pulmão chegou agora. Talvez por eu ter forçado muito quando estava com a doença. Um dos colegas está com fibrose pulmonar. Pode ser que ele não consiga vir a exercer a profissão por causa de como a coordenação lidou com a pandemia”, desabafou o cadete. “Sem falar que eu, sem saber se estava com a doença ou não, continuei na rotina de quartel. No alojamento, nós dividimos quartos. Está todo mundo exposto. A corporação está cometendo um crime culposo”.
Outro cadete com quem conversei teve tosse constante e dor de garganta aguda, mas também se manteve em silêncio. Logo, perdeu o olfato. Ao longo dos dias seguintes, recuperou-se, mas permanece sem sentir cheiro. A exemplo de outros colegas que tiveram medo de relatar os sintomas, ele seguiu frequentando normalmente as atividades do curso. É um comportamento que, segundo nossa apuração, tem sido generalizado. Somente os alunos que manifestam sintomas mais graves é que os reportam ao comando.
As retaliações variam de castigos físicos a serviços extras, nos disse um dos cadetes. “É melhor sofrer com a doença do que ser perseguido e ter que aguentar sozinho as represálias depois. No meu caso, o meu olfato não voltou até agora. Quando vou pra casa nos fins de semana, tenho que me certificar de que desliguei o gás, por exemplo, porque nem cheiros mais fortes eu sinto mais”, completou.
## ‘Você vê que está a alguns metros de pessoas que você sabe que estão doentes, respirando o mesmo ar’.
Segundo os relatos que ouvimos, duas semanas após o treinamento de campo, havia nove doentes confirmados com covid-19 entre os cadetes. Na sexta-feira, 26 de janeiro, pelo menos quatro ainda estavam com a doença. Nenhum deles foi levado a um hospital. Em vez disso, permaneceram na própria academia e foram levados a um outro bloco de alojamentos após receberem o resultado dos exames – e não depois de serem considerados casos suspeitos, como orientam autoridades sanitárias. A alimentação deles é levada por outros alunos em formação, que estabelecem contato com os doentes. A covid-19 sequer é motivo para que eles deixem de frequentar aulas teóricas em salas e auditórios. São apenas obrigados a usar máscaras.
“Uma colega que está com muita febre foi obrigada a assistir aula. Ela tremia”, contou um cadete. “Você vê que está a alguns metros de pessoas que você sabe que estão doentes, respirando o mesmo ar que você. A maioria do pessoal não se importa mais. Tem a sensação de que ou pegou ou vai pegar [covid-19 na academia da PM]”.
O pai de um dos cadetes também apresentou denúncia ao Ministério Público. Nela, diz ter presenciado problemas estruturais na academia, como “alojamentos lotados e com condições impossíveis de manter o mínimo distanciamento e cuidado pessoal”, “banheiros sempre lotados” e “ambientes com pouco espaçamento”.
“Essas condições são absurdas e, como resultado, inúmeras pessoas estão se infectando, nunca parando de aparecer infectados”, denunciou o pai de um aluno. “Esses indivíduos, com covid confirmada ou simplesmente com sintomas, deveriam ser mantidos em isolamento social, em casa, em condições mínimas para que a recuperação se torne eficaz. Porém, são mantidos em isolamento dentro da academia em alojamentos em condições absurdas (quartos com presença de mofo, muitas vezes sem cobertor e qualquer cuidado com o aluno)”, completa o texto.
## Sujeira para baixo do tapete
Em 18 de fevereiro, a Vigilância Sanitária promoveu uma vistoria na academia. Segundo os cadetes, a coordenação do Guatupê deflagrou uma operação às pressas para mascarar a falta de cuidados preventivos. Os alunos com covid-19 foram escondidos num bloco afastado, para garantir que não fossem vistos. Além disso, passaram-se a adotar procedimentos que, até então, os oficiais em formação não tinham visto, principalmente no refeitório. Logo depois da Vigilância Sanitária, o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, visitou o Guatupê.
“No rancho, tinha um cadete higienizando garfo por garfo. Se servia só uma pessoa por vez, e todo mundo com máscara. Mas foi só naquele dia. Foi a vigilância virar as costas, que voltou a ser tudo como antes”, nos disse um dos cadetes.
“O pessoal com covid-19 foi enfiado no bloco 2, que é praticamente inutilizado. Mascararam completamente a situação”, apontou outro oficial em formação. “Estavam tentando esconder a gente, mas o ministro quis falar com uma das turmas. O tenente Barros veio correndo, ordenando que todo mundo pusesse a máscara. Foi a única vez que ele ficou preocupado com isso”.
Oito dias depois, enquanto o governador do Paraná, o bolsonarista Ratinho Junior, do PSD, anunciava medidas restritivas para tentar evitar o colapso do sistema estadual de saúde, os cerca de 120 alunos do primeiro ano do curso de formação de oficiais se aglomeravam em um auditório sem ventilação, onde assistiam a uma aula em vídeo.
“Parece que a lei que vigora aí fora não vale aqui dentro, para o Guatupê. Aglomeração, falta de isolamento, gente com covid-19 sem atendimento. É como se a gente fosse um estado à parte”, desabafou um cadete.
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Alunos do curso de oficiais da PM do Paraná em 26 de fevereiro, dia em que o governo do estado endureceu restrições para conter a covid-19: alunos doentes coagidos a seguir assistindo aulas e a esconder sintomas.
Foto: Reprodução/Polícia Militar do Paraná
Segundo os cadetes, as pressões para que os oficiais em formação não reportem sintomas de covid-19 tem apoio e incentivo do comando da PM do Paraná. O coronel Hudson Leôncio Teixeira, comandante-geral da PM, fez pouco do risco representado pelo novo coronavírus ao discursar aos cadetes em 11 de janeiro.
“Ele disse: ‘Hoje em dia, qualquer nariz escorrendo já é covid-19. Os policiais estão pegando atestado para fugir do serviço. Nós não vamos tolerar isso’”, recordou-se um dos alunos. “A doença está sendo banalizada por eles [do comando da PM]. Eles falam que quem está com sintomas de covid-19 está acochambrando, que na gíria quer dizer ‘dar um migué’ no trabalho”.
“O coronel Hudson está diretamente ligado a tudo o que está acontecendo. Ele esteve aqui, dizendo que não queria militar com qualquer gripezinha querendo fugir de serviço”, disse outro cadete.
O Intercept solicitou à Secretaria de Estado da Segurança Pública, a Sesp, e à PM do Paraná entrevistas com o coronel Hudson e com o tenente Barros. A reportagem também encaminhou uma série de perguntas, como o número de cadetes contaminados e os procedimentos adotados quando há pessoas com sintomas, além de perguntar se a Corregedoria da PM recebeu denúncias relacionadas ao caso.
A Sesp disse que os questionamentos deveriam ser encaminhados exclusivamente à PM. A corporação, por sua vez, não viabilizou as entrevistas, nem respondeu às perguntas.
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https://archive.is/SqUyT
https://theintercept.com/2021/03/01/reprovados-teste-psicologico-jeitinho-pm/
# PMs reprovados em teste psicológico dão jeitinho para entrar na polícia paulista
### Candidatos com instabilidades constatadas em exame oficial recorrem ao Judiciário para burlar resultado e vestir farda da PM de São Paulo.
[Leonardo Martins](https://theintercept.com/equipe/leonardo-martins/)
1 de Março de 2021, 15h11
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Ilustração: Céu Isatto para o Intercept Brasil
Em uma profissão com alto nível de estresse e exigência de tomadas de decisões permanentes sobre a vida de outras pessoas, como a de policial militar, o exame psicológico é uma etapa crucial do processo seletivo para recrutar bons soldados. Mas, pelo menos no estado de São Paulo, ser reprovado no teste psicológico não impede o candidato de um dia vestir a farda cinza da corporação.
Enquanto alguns esperam um novo exame, se preparam melhor e tentam mais uma vez, outros procuram ganhar a vaga no grito – com a ajuda do Judiciário. Um levantamento inédito do Intercept descobriu que, só em 2020, 32 candidatos conseguiram entrar na polícia militar mesmo tendo sido reprovados no teste psicológico.
Em uma profissão com alto nível de estresse e exigência de tomadas de decisões permanentes sobre a vida de outras pessoas, como a de policial militar, o exame psicológico é uma etapa crucial do processo seletivo para recrutar bons soldados. Mas, pelo menos no estado de São Paulo, ser reprovado no teste psicológico não impede o candidato de um dia vestir a farda cinza da corporação.
Enquanto alguns esperam um novo exame, se preparam melhor e tentam mais uma vez, outros procuram ganhar a vaga no grito – com a ajuda do Judiciário. Um levantamento inédito do Intercept descobriu que, só em 2020, 32 candidatos conseguiram entrar na polícia militar mesmo tendo sido reprovados no teste psicológico.
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Vasculhando processos com a ajuda de policiais militares, encontramos dezenas de ações administrativas abertas por candidatos reprovados nos exames psicológicos. O caminho utilizado é quase sempre o mesmo: o concorrente fracassa no teste psicológico e, logo, pede uma liminar para voltar ao certame. Acusa a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a PMESP de “subjetividade” no resultado final ou diz que essa etapa do teste psicológico não deve ser de caráter eliminatório. Caso o juiz de primeira instância não conceda a liminar, os candidatos entram com um recurso na segunda instância, na qual um tribunal analisará o caso.
Todo o processo é fartamente propagandeado. Há diversos canais no YouTube de cursos preparatórios para a prova da PM paulista que ensinam os reprovados a entrarem com esse tipo de ação judicial.
O ‘jeitinho’ é aplicado nos exames da PMESP que recrutam os chamados “praças” – soldados e policiais de patentes baixas. Esse concurso é diferente do realizado pela Academia do Barro Branco, que seleciona os oficiais. Em ambos, os candidatos devem ser aprovados em seis fases para entrar na corporação: prova escrita, prova de condicionamento físico, exame médico, teste psicológico, investigação social (em que o candidato tem sua vida pessoal e conduta investigadas pela PM) e a análise da documentação pessoal.
A maioria desses testes são de caráter eliminatório. Assim, se o candidato for reprovado em um deles, automaticamente está desligado do processo seletivo. É o caso do teste psicológico, em que o concorrente passa por duas fases: uma coletiva, em que outros candidatos participam de uma roda de análise, e outra individual, em que um psicólogo entrevista o candidato sozinho.
Controle emocional, relacionamento interpessoal, liderança e flexibilidade de conduta são algumas das características exigidas dos candidatos, segundo apontam os cursos preparatórios para a PMESP. Instabilidade, descontrole emocional ou outros problemas psicológicos derrubam muitos nessa fase. Quando os avaliadores chegam a essas conclusões, os candidatos são considerados “inaptos” e reprovados.
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Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP via Getty Images
## Matou o namorado e entrou na PM
No dia 13 de novembro de 2017, o desembargador Ricardo Feitosa, do Tribunal de Justiça de São Paulo, deu aval para Jair Alves de Oliveira entrar na PM. Reprovado no teste psicológico, Oliveira havia seguido o passo-a-passo para garantir, por meio da justiça, sua vaga na corporação.
Nove dias depois, o Judiciário paulista publicou outra decisão sobre Oliveira. Dessa vez, contrária às expectativas dele. Os juízes Xavier de Souza e Maria Tereza do Amaral deram parecer favorável à prisão preventiva do soldado: ele era acusado de ter assassinado seu namorado a facadas em 2013. Os magistrados negaram o pedido de absolvição do réu, justificando que ele havia matado o companheiro “por motivo fútil, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido”.
O Intercept obteve acesso à decisão, parte de um processo que corre sob sigilo. Em 2013, Jair e Nilton Alves de Oliveira Junior comemoraram um ano e meio de namoro. Eles moravam juntos em uma pensão no Brás, região central da cidade de São Paulo. Testemunhas descreveram que o relacionamento dos dois era conturbado e marcado por discussões e agressões por parte do soldado.
Uma das testemunhas relatou que, um dia antes de Nilton ser morto, se reuniu com ele em seu apartamento da vítima para assistir a um capítulo de uma novela. O soldado havia saído, e eles conversaram sobre o relacionamento do casal. Nilton teria esticado e cheirado uma carreira de cocaína em sua mesa de centro e dito estar “esgotado” do namoro, cogitando fugir para morar no interior paulista – longe de Jair.
No dia seguinte, 18 de maio de 2013, um vizinho encontrou o corpo de Nilton esfaqueado em cima de sua cama, às 5h30.
Outra testemunha relatou ter encontrado Jair semanas depois do crime, enquanto ele estava foragido. Ela relatou que o soldado da Polícia Militar disse ter matado Nilton “sem pensar, que não teve a intenção”.
Atualmente, Jair Alves de Oliveira ainda aparece como soldado da PM no portal da transparência do governo do estado de São Paulo, com remuneração total líquida mensal de R$ 8.617,79.
Questionada sobre a situação de Oliveira, a Secretaria de Segurança Pública, a SSP, disse que informações pessoais do soldado não podem ser divulgadas.
## Número de reprovados triplica em 2020
O número de candidatos a policiais militares em São Paulo reprovados nos exames psicológicos da corporação mais que triplicou em 2020. Dados obtidos com exclusividade pelo Intercept por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que, em março de 2019, 286 candidatos a agentes foram considerados “inaptos” psicologicamente para exercer a profissão. Em março de 2020, foram 924 concorrentes desclassificados por essa razão – um aumento de 223%.
A proporção de reprovados nesta fase do exame também aumentou significativamente. Em março de 2019, os candidatos reprovados correspondiam a 44% do total (648 participantes). Em março de 2020, o número correspondeu a 68% do total (1.341 participantes).
Os dados vão apenas até março, porque as contratações para a Segurança Pública estão suspensas por causa da pandemia de covid-19. O aumento no número de reprovados foi consistente nos 12 meses anteriores: março de 2019 foi o último mês em que a quantidade de concorrentes aprovados foi maior do que a de recusados. Desde então, os postulantes a policiais militares rejeitados por instabilidade psicológica são maioria no resultado.
Um coronel aposentado da PMESP, ex-consultor jurídico e ainda influente na corporação, conversou com a reportagem sob condição de anonimato e afirmou que duas das principais razões para que as peneiras da PMESP ficassem mais rígidas em 2020 foram o salto de casos de violência policial, com vídeos que viralizaram nas redes sociais, e a o recorde da letalidade policial, batido em 2020. Essa informação foi confirmada por um policial civil de São Paulo que trabalha na elaboração dos testes psicológicos para a PM.
Em nota enviada ao Intercept, a Polícia Militar disse que faz o crivo de soldados com avaliações técnicas, todas publicadas nos editais dos concursos da corporação.
“Os exames psicológicos e médicos são detalhados nos editais, inclusive com a menção do emprego de profissionais capacitados e ferramentas validadas pelo Conselho Regional de Psicologia e de Medicina, não havendo campo para subjetividade ou parcialidade. As reprovações, quando ocorrem, visam selecionar os mais aptos ao serviço”, disse a assessoria de imprensa.
A PM não respondeu se os soldados aprovados por decisão judicial prejudicam os serviços na corporação.
Advogado com atuação em processos militares há 20 anos, Fernando Capano afirmou que quase todos os candidatos reprovados optam por judicializar as reprovações em testes psicológicos. “Eu diria que, com toda certeza, mais de 90% acionam a justiça”, ele disse.
## ‘Quando a justificativa dos psicólogos é bem fundamentada, raramente o candidato consegue reverter a decisão na justiça’.
Por outro lado, Capano afirmou que atuou em alguns casos em que faltou “fundamentação” na negativa para o candidato. “Todo e qualquer ato administrativo tem que ser fundamentado. E eu já vi acontecer. Às vezes acontece, porque ‘ah, a gente não te considera apto’. Mas a fundamentação não vem. Nesta perspectiva, me parece que este ato é injusto, ilegal e pode ser questionado na justiça”.
Ele lembrou de um caso em que atuou e conseguiu reintegrar um candidato no certame, em 2002. “Na entrevista do teste psicológico, o PM disse que havia experimentado um cigarro de maconha em um show de reggae, em 1992, num festival chamado Ruffles Reggae. Na fase de investigação social, o PM foi reprovado por ter sido acusado de ser usuário de drogas”, contou.“Com todo respeito, me parece que essa motivação não é suficiente para afastar o candidato do concurso. A PMESP poderia ter feito uma investigação mais aprofundada”.
O oficial da PM e ex-consultor jurídico da corporação relatou que, quando a justificativa dos psicólogos é bem fundamentada, raramente o candidato consegue reverter a decisão na justiça.
É o caso de um processo que tramitou em 2018, do candidato Rogério Aparecido de Souza. Ele já atuava como segundo sargento da PMESP e tentou ser aprovado no concurso para aluno-oficial da corporação, em que se encontram agentes com patentes mais altas, mas foi reprovado.
Souza tentou entrar por vias judiciais, justificando que já trabalhava na polícia. Mas, mesmo assim, o juiz Lucas de Abreu Evangelinos entendeu que o caso era de “inoportuna insurgência do autor contra as disposições do edital do certame”.
Capano, que também atua em associações representativas de polícias militares de todo país, relatou que os casos de incorporação por via judicial se repetem em quase todas as corporações do Brasil. Segundo ele, o soldado integrado sem aval psicológico pode, sim, apresentar problemas de conduta durante sua atuação policial.
Ele afirmou que há anos esse cenário, em que PMs entram na corporação por vias judiciais, é objeto de discussões internas na corporação. O assunto foi pautado pela primeira vez em 1997, afirmou, depois do sequestro da filha do ex-senador Luiz Estevão, em Brasília. Osmarinho Cardoso da Silva, que sequestrou a jovem, era tenente da Polícia Militar do Distrito Federal e havia sido reprovado no exame psicológico da corporação.
Para Rafael Alcadipani, professor de Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, a justiça paulista não pode interferir neste nível numa seleção de concurso público. “É lamentável que a justiça atue neste tipo de situação. A pessoa que é reprovada em teste psicológico de uma instituição já mostra que há questões a serem resolvidas”, disse. No meu ponto de vista, a justiça peca por um excesso de garantismo e tende a prejudicar a sociedade como um todo”, completou.
Ainda para o pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, admitir um policial reprovado em exame psicológico pode prejudicar a corporação como um todo. “Uma pessoa não apta psicologicamente pode prejudicar os colegas, o clima de trabalho, pode cometer abusos contra a sociedade”, analisa.
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